Assassinado
Quatro de novembro de 1969, terça-feira. Como de outras vezes, Marighella marcara um ponto com os freis dominicanos Ivo e Fernando na altura do número 806 da Alameda Casa Branca. Passava um pouco das oito da noite e os frades, que haviam sido presos e torturados, estavam lá, levados pela polícia. Naquele momento Marighella não poderia supor que ia cair numa emboscada. Sob o comando do delegado Sérgio Fleury, 29 agentes fortemente armados haviam cercado o local e aguardavam sua chegada.
“Para Marighella, tudo parecia normal enquanto caminhava lentamente em direção ao carro – até estourar a fuzilaria. O primeiro tiro que o atingiu atravessou as suas nádegas; o segundo, acertou-lhe a virilha; o terceiro, feriu de raspão o seu rosto. Caído no meio da rua, imobilizado pelos ferimentos, foi cercado e executado às queima-roupa com um quarto tiro. Em um reflexo defensivo, elevou a mão e teve um dos dedos estraçalhado pela bala que lhe perfurou o pulmão e a aorta, provocando-lhe hemorragia interna e morte instantânea.”  Dos filhos deste solo, de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio

 O ESTADO RECONHECE O CRIME
Em 11 de setembro de 1996, por 5 votos a 2, a Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça condenou a ditadura militar pela morte covarde de Carlos Marighella. Concluiu que ele foi assassinado por um tiro a curta distância, depois de imobilizado por três disparos não fatais. Além disso, a polícia tinha controle absoluto sobre a área onde foi morto, caracterizando-a como uma dependência do Estado, o qual deve zelar por quem se encontra sob sua responsabilidade.