Homenagem
ao guerrilheiro
Militantes
trocam nome de rua para lembrar Marighella
MÁRCIA TELLES
Quem passou ontem pelo Centro do Rio à procura de um endereço na Rua da Assembléia, no trecho entre a Avenida Rio Branco e o Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa, foi surpreendido pelo desaparecimento relâmpago da rua, que provisoriamente ganhou o nome de Alameda Marighella. A homenagem foi planejada por um grupo de militantes políticos, amigos e ex-companheiros do líder guerrilheiro, que lembraram ontem os 30 anos do assassinato de Marighella. Ele foi morto a tiros em 4 de novembro de 1969 na Alameda Casa Branca, em São Paulo, durante a operação Bandeirantes, chefiada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury.
"A mudança de nome também é uma homenagem à forte atuação de Marighella como parlamentar na Assembléia Constituinte em 1946", afirmou o deputado Chico Alencar, que participou da manifestação ao lado de militantes do PT, PSB e PDT. Até ontem à noite, a Prefeitura não tinha retirado o adesivo devolvendo à Rua da Assembléia o seu nome original. "Espero que a Alameda Marighella permaneça por um bom tempo", afirmou Chico Alencar.
Além da troca simbólica de nomes, os manifestantes distribuíram folhetos com a história de Marighella. Também convocaram a população para um debate sobre o líder guerrilheiro, às 19h de quinta-feira, no auditório 91, do Bloco F da Uerj. Participarão o ex-militante e dirigente da Aliança Libertadora Nacional (ALN) Carlos Eduardo Fayal e Cecília Coimbra, do grupo Tortura Nunca Mais.
Baiano de Salvador, de origem humilde, Marighella despertou para as lutas sociais aos 18 anos. Militou no Partido Comunista e foi preso pela primeira vez em 1932 por ter escrito um poema com críticas ao interventor Juracy Magalhães. Em 1932, veio para o Rio voltando ao cárcere em 1939, quando foi torturado. Anos depois, deixou o partido e fundou a ALN.